domingo, fevereiro 12, 2006
Crosby, Stills & Nash
Tenho 2 DVDs (nacionais) deles. O primeiro é Daylight Again, gravado de um show feito em 1982 (a contracapa diz 83) na esteira do sucesso do disco com o mesmo nome. Um grande show, com uma grande banda de apoio. O único senão é a aparência do Crosby, completamente 'chapado', imóvel com os olhos fixos ou fechados. Estranhamente, isto não afetou a sua voz. Para compensar, Stills está em plena forma e aproveita bem um pequeno arsenal de guitarras. Entre os vários destaques, preste atenção em You Don't have To Cry, foi nesta música que, em 68, pela primeira vez eles experimentaram cantar juntos. Fica claro porque eles decidiram na hora formar um grupo.
O outro DVD é The Acoustic Concert, um show de 1991. Embora eles próprios chamem o show de Acústico, na maior parte Stills está tocando uma guitarra elétrica. Um descrição mais exata é que é show só com eles, sem banda de apoio, só as vozes e guitarras (e um piano em algumas músicas). O resultado é de literalmente arrepiar. Crosby está ótimo, tendo se desintoxicado na marra através de alguns meses na prisão.
Quem quiser ouvir amostras gratuitas do som deles, tem algumas músicas para download no 4WaySite (destaque para Wind On The Water). No Amazon tem um dowload gratuito de uma música mais recente do Nash. Quem quiser saber a história completa do CS&N, tem um exelente biografia de Dave Zimmer.
Advinhe o Filme
Ontem eu vi um filme cujo resumo era Família rica, de hábitos elegantes mas pouco convencionais, tem sua tranquilidade ameaçada quanto suposto tio desaparecido se infiltra em sue lar. Qual era o filme? A Familia Adams... (vai passar de novo hoje)
O Fim da AOL Brasil
Morando em Osasco (a 1 Km da fronteira com São Paulo) eu não tinha muitas opções quando comecei a acessar a internet, pois os grandes provedores não tinha número local (só muito recentemente ligação para São Paulo deixou de ser interurbano). Além disso, sou cliente do Itau o que dava direito a uma mensalidade reduzida.
Por tudo isso dava para aguentar o uso de software não padrão e as dificuldades de acesso ao e-mail pelo Outlook. Aliás, desde que coloquei banda larga em casa, eu só usava o e-mail, o discador da AOL nem está instalado nos micros. Continuei assinate por preguiça de sair acertando o endereço de e-mail nos vários serviços que uso.
Aparentemente inundar as pessoas com CDs e firmar parcerias com o Itaú e o Mac Donnald's não foi suficiente para a AOL Brasil dar lucro.
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
O Enigma do Quatro
Apesar disto, sobrou tempo para ler O Enigma do Quatro. Seguindo a moda atual, é um livro sobre um mistério da Renascença. A contra capa possui uma inevitável comparação elogiosa com Dan Brown.
Não consegui me entusiasmar muito com o livro. Ele me pareceu muito arrastado, só pegando impulso no quarto final. O estilo também não faz o meu gênero, muitos flashbacks para contar o interrelacionamento entre os personagens e o avanço na solução do enigma. Para completar as mais de 400 páginas da edição nacional, muitas descrições de prédios de Princeton.
Decididamente, em termos de mistérios da Renascença prefiro a primeira temporada de Alias.
sábado, janeiro 14, 2006
Maigret
Sou fã de Maigret de longa data. O estilo dos livros é diferente dos livros policiais mais conhecidos (como os da Agata Christie). A ênfase está mais na ambientação da trama e na caracterização dos personagens que no crime em si. O final, normalmente, revela uma trama sórdida e personagens com suas vidas dominadas pelas fraquezas humanas. Outra diferença é que Maigret é um policial, o que dispensa as frágeis reviravoltas e coincidências comuns nos livros policiais para levar o detetive ao crime. É também bastante curioso ver o funcionamento da policia francesa e seu estreito relacionamento com a justiça (para começar, Maigret trabalha na Polícia Judiciária).
Sinto também uma certa semelhança entre o comportamente de Maigret durante a investigação e o meu próprio comportamento quando estou debugando um problema, particularmente a sensação de peso e hesitação.
Nem todos irão apreciar o estilo de Georges Simenon, e talvez seja daqueles que só se começa a apreciar depois de ler mais de um. Os interessados não devem ter dificuldade de achar os livros em livrarias (por exemplo, Cultura e Siciliano) e bancas. O livro que acabo de ler é A Fúria de Maigret, na mesma coleção tem Maigret e o Homem do Banco, que também recomendo (a parte em que Maigret vai obter informações sobre o morto no seu local de trabalho é imperdível).
terça-feira, janeiro 10, 2006
Mais um Exame de Certificação
O ritmo do estudo oscilou conforme a pressão do trabalho e da família. Na metade de 2003 mudei as minhas prioridades e passei a estudar para o exame 70-300 (Analyzing Requirements and Defining Microsoft .NET Solution Architetures), a fim de aproveitar uma oferta de exame gratuito para quem já tinha a certificação em MCSD. Após passar no exame, voltei à inconstância do estudo. De alguma forma, 2004 passou sem que eu prestasse qualquer exame.
Em agosto de 2005, ganhei um voucher de exame gratuito em uma das promoções do TechNet Brasil e defini como nova meta para o MCAD o final de 2005. Em novembro, com o lançamento do Visual Studio 2005, a Microsoft anunciou novos exames (a serem disponibilizados em 2006) e uma mudança radical nas certificações de desenvolvimento. Em meados de dezembro, descobri que o voucher valia apenas até 8 de janeiro. Com este incentivo adicional, entrei em um ritmo acelerado de estudo e no dia 4 passado prestei e passei o exame (agora quase obsoleto).
Para quem não conhece o processo de certificação da Microsoft, eu diria que na essência eles consistem em passar em exames. Você estuda da forma que achar melhor, agenda o exame em um centro autorizado, vai no dia combinado, responde às perguntas no micro e se acertar um número mínimo de questões passou no exame. Tendo passado em um exame, você é um MCP (Microsoft Certified Professional), com direito a diploma, cartão e broche. Determinadas combinações de exames dão direito a títulos adicionais (com diploma, cartão e broche).
A pergunta mais comum sobre certificação é se vale a pena. A minha resposta é que depende do que você espera da certificação. No meu caso, eu comecei a me interessar por certificação no final de 2001, em um momento em que estava com grandes dúvidas sobre a minha carreira. Meus objetivos eram dois: mostrar a mim mesmo que eu era capaz de passar nos exames e aumentar a abrangência dos meus conhecimentos (já que eu trabalhei sempre em áreas bem específicas). Tenho certeza que atingi estes dois objetivos. Não percebi os efeitos colaterais da certificação apregoados por alguns, como aumento expressivo da remuneração, veneração pelos colegas de trabalho e fim da queda de cabelo.
Um outro mito sobre certificação é a sua relação direta com a experiência profissional com o assunto. Eu diria um profissional com anos de experiência terá dificuldades nos exames, pelo fato da experiência tender a se concentrar em algumas tecnologias e os exames serem muito abrangentes. Olhando pelo outro lado, é plenamente possível passar num exame sem ter experiência profissional no assunto. No meu caso específico, tenho usado os exames como incentivo para estudar assuntos com os quais não tenho contato no dia-a-dia e os resultados tem sido positivos.
Para quem ainda pretender prestar o exame 70-315, alguns comentários. O livro do Amit Kalami foi muito bom, além de preparar para a prova ele ensina bastante coisa para quem for usar C# no dia-a-dia. Recomendo fazer toda a parte prática do livro (o que acabei não fazendo na correria final). O exame consta de 43 questões de múltipla escolha, o software deixa bem claro quando é esperada mais de uma alternativa e não deixa selecionar a mais ou a menos. O tempo é mais que suficiente, e ainda se ganha mais 1/2 hora pelo exame estar em inglês. A nota mínima é 700, ou seja, você precisa acertar pelo menos 31 das 43 questões (supondo que não se possa acertar parcialmente uma questão). A redação das questões sofre muito da tentativa de dar uma roupagem "prática" às questões, o que resulta numa enxurrada de informações desnecessárias. Por outro lado, ocasionalmente uma informação vital está escondida no meio do texto, portanto você precisa ler tudo com muita atenção. As questões em si são um segredo industrial da Microsoft e você precisa aceitar um NDA antes de começar o exame. Como levo a sério NDAs, digo apenas que o livro do Amit Kalami cobriu bem o assunto. O nível de dificuldade é suficiente para fazer a maioria das pessoas suar, é importante não entrar em pânico ao ficar em dúvida e lembrar que você não precisa acertar todas as questões para ser aprovado.
Agora é decidir se vou tentar fazer o 70-320. Apesar de também estar obsoleto, o livro está na minha estante pegando poeira...
Enquanto isso, tem gente já fazendo os exames da nova geração.
segunda-feira, janeiro 02, 2006
Meu Primeiro Computador Pessoal
Bem, não exatamente...
Ao final do primeiro ano da faculdade, eu estava fascinado com computadores e arranjei um estágio no IPT. Como mandava a tradição, no primeiro dia me puseram numa mesa com um manual de COBOL para estudar. Algum tempo depois (acho que em 1979) o IPT adquiriu um Cobra 400.
O Cobra 400 era uma máquina esquisita, cuja tecnologia a Cobra adquiriu de uma empresa americana (anos mais tarde a Cobra re-projetaria o hardware e o software adotando o nome Cobra 400 II). Embora fosse às vezes mencionado como um mini-computador, o Cobra 400 era na realidade um sistema de data entry capaz também de executar aplicações. Internamente usava um microprocessador de 8 bits (Intel 8080) com 64 Kbytes de Ram. Suportava até oito terminais (o do IPT tinha 4), cada um com uma tela de 8 linhas de 64 colunas (mapeadas nos 64K de Ram). O armazenamento era num HD de 10 Mbyte (o disco tinha o diâmetro aproximado de um LP), controlado por um outro 8080.
Afora uma linhagem estranha (TAL II), mais voltada para programas de entrada de dados, o Cobra 400 tinha também um compilador Cobol. A primeira versão do Cobol (Level 1) era tão fraca que não tinha nem ELSE no IF e só permitia operação batch (sem interação com o usuário via terminal). A segunda versão era bem decente.
Durante os primeiros meses, a máquina era usada apenas para estudos e frequentemente a tinha só para mim (daí ser o meu primeiro "computador pessoal"). Mais adiante começou a ser usado parte do tempo para digitação e parte do tempo para o desenvolvimento de um sistema (cuja estória fica para outro dia).
Mesmo assim, ainda sobrava algum tempo para brin^H^H^H^Hestudar. O meu ponto alto foi a adaptação para o Cobra 400 de um programa em BASIC. Embora a escola usasse cartões nos cursos, já existiam alguns terminais de vídeo na USP e no IPT. Por alguns dias tivemos acesso ao B6700 e conhecemos o jogo (Colossal Cave) Adventure. Quando perdemos o acesso, ficou a vontade de jogar este tipo de jogo. O número de Dezembro de 1980 da revista Byte foi dedicado a jogos e trazia a listagem completa do jogo "Pirate's Adventure" de Scott Adams. A listagem era em BASIC, para o micro TRS-80. Após uma trabalhosa engenharia reversa, consegui re-escrever o programa no Cobol do Cobra-400 e jogar o jogo até o final.
Como disse Scott Adams no iníco do artigo da Byte, time flies.
quinta-feira, dezembro 29, 2005
Comunidade C++
Não fui o único a aprender a programar com cartões perfurados...
segunda-feira, dezembro 19, 2005
Revistas e Livros
Em 1976 comprei a minha primeira revista com alguma relação a computadores, a "1977 Electronic Experimenter's Handbook" da Popular Eletronics. Para quem não sabe, em 1975 a Popular Eletronics trouxe na capa o primeiro kit de microcomputador. Nos anos seguintes, comprei mensalmente a Popular Electronics e mais ocasionalmente a Radio Electronics (que também trazia artigos sobre microcomputadores).Alguns anos mais tarde, encontrei no meu estágio alguns exemplares da revista Byte. A revista Byte foi uma das mais influentes nos anos 80 e seus artigos tinham uma abrangência e profundidade que nunca mais encontrei em outras revistas. Nos anos 90 a Byte foi aos poucos piorando, eu desisti de comprar quando saiu um editorial pedindo desculpas pelas brincadeiras das edições de abril... Atualmente a Byte existe somente eletrônicamente.
Em 81 eu conheci a revista Dr Dobbs, mais dedicada a software para micros. A Dr Dobbs continua firme e forte e pode atualmente ser assinada em formato eletrônico, uma boa opção para quem não pagar um dinheirão na banca ou sofrer com a inconstância do correio.
Uma das várias colunas da revista Byte era a "User's Column". O nome da coluna, escrita por Jerry Pournelle, se deve aos relatos feitos na visão de um usuário. Entretanto, o Dr Pournelle nunca foi um usuário comum, graças a seus contatos ele sempre obteve equipamentos e softwares de ponta (muitas vezes na cortesia, mas isso nunca atrapalhou o seu senso crítico). Um dos costumes da User's Column é ter o "livro do mês" (muitas vezes dois, o de informática e o não relacionado a informática).
Tentando copiar este costume, dentro das minhas limitações, vou colocar comentários curtos sobre os livros que tiver lido. No momento acabei de ler "The HP Way" de David Packard. Este livro se concentra mais nas filosofias empresariais da HP do que na sua história, mas é uma leitura fascinante. Mesmo dando um desconto para uma eventual não-isenção do autor, fica claro que a HP foi uma empresa espetacular. Ajuda também a entender porque os herdeiros de David Packard e Bill Hewlett foram contra à associação da HP à Compaq.
Encontro de Programadores C++
"Many Years Later..."
domingo, dezembro 11, 2005
Desenvolvimento nos Anos 80
O meu post anterior me fez lembrar sobre as condições de desenvolvimento nos meus primeiros empregos, nos anos 80.Uma diferença em relação aos dias de hoje era a inexistência de micros sobre as mesas. Os micros ficavam normalmente em uma sala separada, o laboratório. Na foto, o laborátório da Humana Informática, em junho de 88.
No meu estágio na Scopus Tecnologia (1981), trabalhei no desenvolvimento de uma aplicação em Assembler para o microcomputador de 8 bits (MicroScopus). O desenvolvimento era feito no próprio MicroScopus; quando entrei já existia uma quantidade bem razoável deles no laboratório. Exceto por alguns problemas com a novíssima tecnologia de dupla densidade nos disquetes de 8", o desenvolvimento ocorria bastante bem. O MicroScopus trabalha apenas com disquetes de 8", winchester para micro ainda era algo novo (se bem que tinha um protótipo com disco de 5 MBytes) e os disquetes de 5 1/4" eram vistos como não profissionais.
Quando fui contratado fui alocado para o desenvolvimento do firmware de duas nova família de terminais de vídeo (Lepus e TVA 2000). O firmware também era desenvolvido em Assembler, porém em sistemas de desenvolvimento da Intel (Intelect). A Scopus possuia somente dois equipamentos (com disquetes de 8", é claro), por este motivo as edições mais pesadas eram feitas nos MicroScopus. Uma dificuldade adicional era que o hardware estava sendo desenvolvido e testado em paralelo ao software.
Posteriormente, ainda na Scopus, fui trabalhar no software do Nexus 1600, um dos primeiros PC-compatíveis nacionais. Novamente o hardware foi desenvolvido em paralelo com o software, porém neste caso tínhamos dois IBM PC (8088 4.7MHz, disquetes de 5 1/4") para desenvolvimento (em Assembler e Pascal) e teste. No final do desenvolvimento chegou um recem lançado IBM XT, com HD de 10MBytes. Depois que o projeto de hardware ficou estável (uma história interessante para um outro post) e a fábrica conseguiu alcançar a demanda, o laboratório passou a contar com uma quantidade razoável de Nexus. Para surpresa do marketing, só se usava o disquete de 5 1/4" (apesar de uma unidade externa de 8" ter sido desenvolvida) Em 85 a linguagem C começou a ser usada.
Em 1986 fui para a Humana. Uma empresa menor, incialmente tinha somente um Nexus 1600 (8088 8Mhz, 256K e dois disquetes de 5 1/4") para desenvolvimento, demonstração e treinamento. Dois computadores de 8 bits (um MicroScopus e um compatível Apple II) eram às vezes usados para edição. Com a minha chegada foi necessário adquirir mais um micro, no caso um Monydata (8088 8Mhz, 704K mas só um disquete de 5 1/4"). Para impressionar nas demonstrações do software para clientes, o monitor CGA era colorido (um luxo para a época). A Humana desenvolvia primariamente em C, usando Assembler apenas para trechos mais críticos.
Na foto de 88, da esquerda para a direita, um Itautec, o Nexus 1600, o Monydata e um Nexus 2600 (a única máquina com HD). Nos anos seguintes iriam se juntar a eles dois Microtec e um Proceda, todos com HD. Em 1989, embalada por um bom ano, a Humana comprou um lote de micros da Itautec para a sala de treinamento (com disquete) e para o desenvolvimento (com disquete e HD). A novidade destes micros era o vídeo EGA (porém os monitores eram monocromáticos). Com a chegada deles, um dos micros antigos (Proceda) foi para a minha mesa (afinal, eu era o chefe do desenvolvimento!).
quinta-feira, dezembro 08, 2005
Como eu Aprendi a Programar e Como Isto Me Afetou

Meu primeiro contato sério com programação foi no primeiro ano da faculdade, em 1977. O curso de Introdução à Computação para os alunos de Engenharia utilizava a linguagem Fortran IV. Mais que a linguagem, a forma como era feitos os exercícios práticos teve uma influência forte na minha forma de desenvolver software.
A primeira dificuldade era editar o programa. O programa era escrito em formulários especiais (folhas de codificação), que eram entregues para a digitação. Após 2 ou 3 dias, recebia-se o deck de cartões perfurados. Existia para os alunos uma sala com cerca de duas dúzias de perfuradoras, porém normalmente somente 2 estavam totalmente funcionando e várias estavam totalmente inoperantes. É claro que esta sala precisava ser compartilhada pelos 600 alunos do primeiro ano.
A USP dispunha na época de um mainframe Burroughs B6700. A interação dos alunos de toda a USP com ele era através da sala de auto-serviço (cafeteria), onde ficavam uma leitora de cartões e uma impressora. Filas para usar a sala não eram incomum.
O uso do computador era controlado por um sistema de créditos. No início do curso o aluno recebia uma certa quantidade de créditos (algo entre 35 e 45) para serem usados em todos os exercícios do semestre (4 ou 5). Cada execução de programa (tanto o compilador como o seu) consumia um crédito. Existiam limites de tempo e de linhas impressas para o interromper programa em loop ou abusos (tem a famosa estória do poster da Mona Lisa, mas fica para outro dia).
Chegada a sua vez na fila, você colocava os cartões na leitora, apertava um botão, recolhia os cartões lidos e ia rezar na frente da impressora. Após alguns minutos, saia a sua impressão e você saia da sala para analisá-la.
Tratava-se, portanto de uma ambiente sem depuração interativa e com fortes restrições para o ciclo editar-compilar-executar. O resultado era pensar muito mais que codificadar. Na escola faziam-se coisas como o “teste de mesa”, simulando a execução do programa com papel e lápis. O deck de cartões era verificado à mão atrás de erros de sintaxe. Quando ocorria um erro, se procura entender direitinho as causas e verifica-se atentamente se o erro era repetido em outros pontos. Cada letra da impressão de saída era examinada atrás de pistas dos erros.
Embora o processo de desenvolvimento tenha melhorado muito com o passar dos anos nas minhas experiências fora da escola (estágio e posteriormente trabalho), restrições ainda estariam presentes por cerca de uma década. Por exemplo, em 1987 era comum usar um PC sem HD, usar um editor separado do compilador e depurar em assembler com o debug ou o symdeb.
Atualmente trabalhamos em ambientes integrados, que compilam programas em segundos (ou menos) e dispomos de depuradores altamente interativos. Se por um lado isto evita processos ineficientes (como a conferência manual de sintaxe), incentiva também um procedimento preguiçoso e a técnica de programação por tentativa e erro. Quantas vezes corrigimos apenas os primeiros erros de sintaxe indicados e mandamos recompilar ao invés de examinar os outros erros da lista? Quem nunca saiu testando alternativas ao invés de consultar uma documentação ou pensar um pouco? Quantos ainda rabiscam papel tentando conferir um algorítmo ao invés de ir andando passo a passo, corrigindo somente os erros com os quais topar?
Um pouco das técnicas passadas ainda me acompanham até hoje. Particularmente, tenho uma tendência a usar pouco depuradores. Entre outras coisas, é sempre divertido surpreender alguém apontando um erro no código somente olhando o fonte e o resultado. Alguns até acham isto mágica...
terça-feira, dezembro 06, 2005
Rock Progressivo
Um dos efeitos colaterais de ter passado a adolescência nos anos 70 é o gosto por rock progressivo. Uma dica vinda do site oficial do Rick Wakeman: uma rádio belga tem um programa semanal de 2 horas, sem intervalos comerciais, que toca principalmente rock progressivo. E o programa fica disponível para download em MP3 em
http://www.boborocks.be/playlists.php
(é, o apresentador tem a alcunha de Bobo, fazer o que).
Uma curiosidade é que nos últimos programas sempre tem uma versão de Stairway to Heaven, a do dia 6 de novembro é impagável.
Só não esqueçam que duas horas de MP3 dá uns 110 Mbytes, portanto é para quem tem banda larga.
segunda-feira, dezembro 05, 2005
TechEd 2005 – 01/dez
Continuando os meus comentários sobre as palestras:
Introdução ao Windows Communication Foundation (Leonardo Bruno Lima)
Uma palestra sobre o Indigo, que se propõe a unificar DCOM, Remoting, Web Services, etc e com isso simplificar o desenvolvimento de aplicações que expõe e consomem serviços. Estourou o tempo alocado.
BizTalk 2006 e Windows Workflow Foundation (Thiago Cruz)
Como a palestra anterior estourou o tempo e era no lado oposto do evento, entrei com o barco já andando e não consegui me sincronizar direito.
Geração Dinâmica de Código e Interface com Usuário (Pedro Lourenço)
Uma idéia diferente: uma aplicação que no meio da execução dispara a recompilação de um dos seus trechos. Atraiu o meu lado geek/hacker, com a exploração das classes de compilação existentes no .Net Framework. O argumento do palestrante é que esta solução tornaria as aplicações mais flexíveis e ágeis. Um exemplo dado é o cliente que liga pedindo uma alteração e o suporte envia um novo trecho do fonte para ser recompilado pela aplicação. Aí o meu lado manager assumiu e comecei a me perguntar como ficariam o controle de versão e o suporte de uma aplicação que pode ser alterada dinamicamente.
A idéia de aplicações expansíveis é bastante antiga. No tempo dos mainframes acho (não sou tão velho assim) que tinha uns tais de “exit points”, chamadas a módulos externos que ficavam em aberto nas aplicações, para o cliente “grudar” processamentos adicionais. Certamente era uma das idéias das DLLs e ActiveX que nos levariam ao paraíso e que muitos dizem ter criado um inferno (DLL Hell).
Migrando Aplicações PHP e MySQL para .Net (Marcelo de Pauli)
Uma exposição de caso: a re-escrita de uma aplicação cheia de problemas para o ambiente .Net. Um esforço louvável do apresentador em não cair nos lugares comuns da briga Microsoft x Software Livre. Grande parte dos problemas da aplicação original tinham origem na análise e em um processo conturbado de desenvolvimento (4 equipes diferentes ao longo de 4 anos). As principais críticas ao PHP (não orientado a objeto) e ao MySQL (falta de controle da integridade relacional) não se aplicam totalmente às versões mais recente, mas é indiscutível a melhor qualidade técnica dos produtos Microsoft. Pontos extra pela distribuição de um CD com a apresentação e material adicional. O tempo foi insuficiente para uma demonstração completa do antes e depois.
Criando uma Camada de Acesso a Dados Genérica (Rogério Carvalho)
Uma coisa que sempre me preocupou foi o fato do Ado.Net usar classes separadas para cada tipo de banco de dados. Nesta palestra foi apresentado como criar uma camada genérica, que se adapta em tempo de execução ao banco utilizado. Palestra muito boa. O demo foi ambicioso demais (principalmente por ter sido codificado ao vivo), mas felizmente em seguida vinha o intervalo e o apresentador soube tratar bem o estouro do tempo (fez o sorteio dos brindes para liberar os poucos afobados e terminou a demo com a sala cheia).
Segurança no Desenvolvimento WEB (Maycol Romelli)
A maior parte do assunto tratado pode ser vista, com calma, nas apresentações do CD de Segurança do MSDN Brasil. No TechEd a apresentação foi totalmente corrida, no meio do caminho eu “perdi o sincronismo” e não achei mais.
Usando o SQL Server 2005 em Dispositivos Móveis (Max Netto)
Um fato agradável é que o SQL Server CE 2005 vem junto com o SQL Server 2005. Existem várias facilidades novas para o desenvolvedor, principalmente na parte de gerenciamento. Existe também um Query Analiser para CE, ótimo para o desenvolvedor, agora é só não deixar cair na mão do usuário.
TechEd 2005 – 30/nov
Depois do sufoco do evento de lançamento, o TechEd pareceu confortavelmente cheio. Como no ano passado, a Microsoft juntou o evento de Desenvolvedores ao de Profissionais de TI. Exceto pelos keynotes, eram palestras simultâneas em 7 salas (fora as palestras dos patrocinadores).
O principal problema foi tempo. As duas primeiras palestras de cada dia tinham apenas 45 minutos e as demais 1 hora. Vários dos palestrantes não levaram isto em conta, prejudicando a apresentação deles e de outros.
Abaixo comentários sobre as palestras que eu assisti.
Windows Vista (Bjorn Rettig)
A próxima versão do Windows deve sair no final do ano que vem. A Microsoft claramente entrou em “release mode”, já tendo cortado várias features (a única forma comprovada de reduzir o tempo de desenvolvimento no meio de um projeto). As novidades na interface gráfica chamaram a atenção de todos e deixou no ar a pergunta: é um grande avanço em usabilidade ou apenas figurinhas bonitas (eye-candy)?
Outra preocupação é quanto ao hardware necessário. Por enquanto falam apenas de um “processador atual”, pelo menos 512M de Ram (1G aconselhado) e uma placa de vídeo 3D também “atual”. Prevejo um bom 2007 para AMD, Intel, nVidia, ATI, etc.
World Ready Software (Houman Pournasseh)
Ao contrário da maioria das empresas americanas, a Microsoft sempre foi muito atenta para a adaptação de aplicações ao mercado mundial e o Visual Studio .Net coloca ferramentas para adaptação da interface com o usuário ao alcance todos. Uma boa notícia para bilíngües e desenvolvedores é que no Windows Vista o “core” do sistema operacional independe de língua e a interface pode ser mudada através de um “language pack” (supondo que estes language packs sejam fornecidos gratuitamente ou a baixo custo).
Uma vez que a maioria dos desenvolvedores brasileiros foca apenas o mercado brasileiro, ficou a sensação de estarmos no outro lado do assunto (no lado dos que usam aplicações internacionais).
Introdução ao Windows Presentation Foundation (Miguel Ferreira)
Uma visão geral do novo módulo de apresentação do Windows, também conhecido pelo codenome Avalon. O objetivo é levar o usuário a fazer a “imersão” nas aplicações, através de gráficos 3D e animação. No final foi mostrada uma aplicação médica excelente, mas fica a sensação de que algumas animações e efeitos são puro eye-candy.
Fundamentos de Desenvolvimento para Windows Vista (Fabio Galuppo)
Esta palestra se concentrou mais no XAML, a nova linguagem para definir a interface com o usuário no Avalon. A idéia é ter para aplicações Windows algo semelhante ao code-behind do Asp.Net. O decano dos programadores Windows (Charles Petzold) já está escrevendo um livro a respeito.
MSBuild (Fabio Vasquez)
Palestra interessante sobre uma nova ferramenta para controlar a geração de versões, uma espécie de MAKE turbinado controlado por um arquivo XML.
Windows Mobile 5.0 & Visual Studio 2005 (Fernando Zandoná)
Na verdade uma apresentação sobre o Compact Framework no SmartPhone. A palestra ficou bastante divertida graças à demo (tirava uma foto, enviava para um WebService que confirmava o recebimento através de SMS) e a uma votação via SMS feita “em background”.
domingo, dezembro 04, 2005
Lançamento Visual Studio 2005, SQL Server 2005 e BizTalk Server 2006
Terça passada (29/nov) foi o evento de lançamento dos produtos acima. Cerca de 3000 pessoas assistiram, o que deixou o local totalmente lotado. O fato de ter sido anunciado que os primeiros 500 receberiam uma cópia dos produtos garantiu uma fila imensa.
Uma conseqüência deste excesso de gente foi a divisão das pessoas em duas salas já nos keynotes. Na sala “técnica” os keynotes foram exibidos em telões, sem a presença física de palestrantes. A julgar pela reação do público, não agradou.
Neste tipo de evento costuma me bater uma forte sensação de deja-vu, o que acaba gastando a minha paciência. As apresentações são sempre recheadas de chavões elogiosos. A nova versão sempre traz avanços imensos em usabilidade, confiabilidade e desempenho. Colocando de outra forma, a versão que no lançamento anterior era perfeita é vista agora como cheia de falhas que a nova versão corrige...
O Visual Studio 2005 é a primeira revisão para valer do Visual Studio .Net (a versão 2003 é, para mim, apenas correções de bugs e inclusão das features que não ficaram prontas a tempo para o lançamento original). Junto com o VS 2005 está saindo o .Net Framework 2.0 (e o .Net Compact Framework). Aparentemente a plataforma e a ferramenta vão avançar sempre juntas. O ambiente de desenvolvimento está melhor do que nunca, principalmente para as famosas demos de criar uma "aplicação" praticamente sem escrever código.
O BisTalk 2006 é a figurinha estranha do lançamento. Primeiro porque foi anunciado, não lançado. Segundo porque é um produto pouco conhecido e pouco usado. De uma forma extremamente simplificada, o BizTalk é um ambiente que permite de forma simples (visual, clicando e arrastando) criar procedimentos automáticos de integração de sistemas. Ao receber uma informação de um sistema (via arquivo, email, banco de dados, etc) o BizTalk a repassa para outros sistemas convertendo o formato e fazendo pequenos processamentos. Aparentemente a maioria das empresas acha que é melhor e/ou mais barato escrever uma aplicação específica para isto.
sexta-feira, dezembro 02, 2005
Apresentação
O meu contato com computadores começou no primeiro ano da faculdade, em 1977. A minha turma teve a discutível honra de ser a última turma da Poli (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo) a usar cartões perfurados até o último ano (no ano seguinte foi inaugurada a sala de terminais de vídeo para os alunos).
Ao final de 81 me formei em Engenharia Eletrônica Digital e fui trabalhar na Scopus Tecnologia, no auge da reserva do mercado de informática. Trabalhei lá em firmware de terminais e depois no projeto de software para um dos primeiros micros brasileiros compatíveis com o IBM PC. Nesta época escrevi o meu primeiro livro da série PC Assembler, que foi publicado pela Editora Campus.
Em 86, chateado com as limitações de ser um desenvolvedor de software numa empresa primordialmente de hardware, fui para uma pequena software house a Humana Informática. Lá trabalhei no desenvolvimento de softwares de comunicação para PC que foram bem sucedidos no mercado. Infelizmente, veio o plano Collor bem num instante de mudança do mercado, com a ascensão do Windows e redes locais.
Após alguns anos dando murros em ponta de faca, fui para a Seal Eletrônica, uma empresa especializada em sistemas para captura automática de dados (leia-se coletores de dados e códigos de barras). Lá, além de desenvolver software para equipamentos móveis com comunicação por radio frequência, trabalhei como "desbravador de tecnologias" e gerente de projetos. Na virada do milênio tive uma curta experiência como Gerente de Produto.
Em 2002, decidi arriscar a sorte como empresário, abrindo a Tamid Tecnologia junto com um amigo (não por coincidência, colega na Scopus, Humana e Seal). A Tamid se especializa em software para equipamentos móveis (principalmente coletores e PDAs).
Dependendo do meu humor, nos próximos posts vou relembrar os bons tempos em que software de verdade se fazia em Assembler ou comentar as maravilhas tecnológicas atuais ou chutar previsões sobre o que está para vir.

