sábado, setembro 05, 2009

Livro de Agosto: Failure Is Not An Option

"Failure Is Not An Option" é um relato muito especial do programa espacial americano do projeto Mercury ao projeto Apollo. O autor é Gene Kranz; a forma mais simples de dizer quem ele é citar que foi representado por Ed Harris no filme Apollo 13; lembrou dele?

A minha cópia deste livro tem uma história especial. Em 2000 eu fui para uma conferência nos EUA e a palestra motivacional foi dada por ... Gene Kranz. Ao final da apresentação foram distribuídos alguns livros e eu tive a oportunidade de ganhar um autógrafo.


Gene Kranz

Gene Kranz é um real herói americano e o livro está repleto de um patriotismo que hoje pode parecer fora de moda. Antes de entrar para a NASA, foi piloto da força aérea americana e trabalhou em pesquisa e testes na McDonnell.

Como mostra a foto da capa, é extremamente sério. Absorto com o projeto espacial desde o início dos anos 60, ele manifesta a sua surpresa e incompreensão com os acontecimentos do final da década.

Seu entusiasmo e liderança foram fundamentais para a obtenção do que ele chama de "a irmandade", a camaradagem e confiança mútua entre controladores e astronautas.

Controle da Missão

O livro gira todo em torno do conceito do "Controle da Missão". Todo mundo já viu em algum filme a imagem da sala de controle, com um monte de pessoas sentadas na frente de um monte de consoles. As pessoas nestes consoles estão organizada em grupos com nomes como RETRO, Flight, FIDO. O diretor de voo é quem coordena o trabalho de todos eles e toma as decisões finais. Estas decisões são baseadas nas regras de voo, compostas principalmente de critérios Go/No-Go.

Outro ponto destacado no livro são as simulações efetuadas antes das missões. A equipe que planeja e controla as simulações mostram uma paixão quase sádica em testar os controladores. Este zelo foi fundamental para o sucesso da Apollo 11.

O Programa Espacial Americano

Os americanos estavam em nítida desvantagem no começo da corrida espacial (embora hoje se saiba que a diferença não era tão grande quanto parecia). O livro começa com o chamado "voo de 10 centímetros": no primeiro teste com o propulsor Redstone, o foguete "apagou" logo após começara a subir, deixando de pé um foguete cheio de combustível e totalmente desconectado do controle.

Quando ainda estavam obtendo os primeiros sucessos, Robert Kennedy assumiu a meta de colocar um homem na lua até o final da década de 60. O resultado foram os projetos Gemini e Apollo. Os voos do projeto Gemini, assim como os primeiros voos do Apollo, tinham por objetivo desenvolver uma a umas as técnicas necessárias para a viagem à Lua.

Ao final do projeto Gemini, os americanos estavam na frente dos russos (embora isto não fosse tão evidente na época). Veio então a primeira e única tragédia americana desta época, com a morte da tripulação da Apollo I em um teste preparatório rotineiro considerado não perigoso. Nove meses depois, os EUA estavam de volta à corrida com a Apollo 4.

Os voos seguintes do projeto Apollo foram bem sucedidos, culminando com o primeiro pouso na Lua com a Apollo 11, até a Apollo 13. Como todo mundo sabe, graças ao filme, as coisas deram errado logo no começo da viagem para a Lua e somente graças a um trabalho incrível dos controladores os astronautas conseguiram retornar sãos e salvos à Terra.

Embora não tenham ganhado o mesmo destaque que a Apollo 13, em quase todas as missões ocorreram momentos críticos, vários deles descritos no livro. Kranz chega a afirmar no livro que hoje se assusta com alguns dos riscos corridos e acha que hoje não existiria ambiente para assumí-los.

O Veredito Sobre o Livro

O livro contém inúmeras histórias interessantes, contadas por quem esteve lá. Porque demorei tanto para acabar de ler o livro? Acho que o problema é o estilo. Em alguns momentos Kranz se detêm em longas listas de nomes e biografias de pessoas que, apesar de importantes para o programa espacial americano, tem pouca relevância para o que está sendo contado. Existe também um amontoado de siglas que às vezes confunde o leitor. O resultado é um livro enfadonho em alguns momentos (principalmente entre as missões).

Conhecidos para quem emprestei o livro também o acharam arrastado em alguns pontos, mas não tão fortemente quanto eu.

Apesar disto eu recomendo o livro para os interessados no programa espacial. Talvez seja necessário um pequeno esforço para avançar por alguns trechos, mas o leitor certamente se sentirá recompensado.

Um comentário:

Dion Lima disse...

Vou comprar um! obrigado