domingo, março 01, 2026

Crítica: Thor Masterworks Vol 9

Contrariando minhas expectativas, o ritmo das leituras segue alto este ano. O volume 9 da série Marvel Masterworks The Mighty Thor reúne os números 173 a 183, publicados em 1969 e 1970. É a despedida de Jack Kirby, que saiu para a DC.



Neste ponto, Thor estava dividido entre as aventuras épicas em Asgard e o papel mais tradicional de super-herói na Terra. O seu alter-ego humano (Dr . Donald Blake) aparece em algumas histórias, mas claramente esta dualidade não funcionava muito bem. Percebe-se também que a imaginação de Stan Lee já se esgotava (em breve, ele seria promovido e se afastaria dos roteiros). O resultado são histórias irregulares.

"Ulik Unleashed!" abre o volume com uma mistura dos dois aspectos de Thor. Na Terra, ele se envolve com o "Circo do Crime", que inclui um cosplay do Thor (tratado no início da história pelo Dr. Blake). Enquanto isso, Loki está tramando para derrubar Odin e envia Ulik, o troll de pedra (!), para a Terra. Uma aventura simples e curta.

O título da aventura seguinte é curioso para a época atual: "The Challenge of the Crypto-Man!". Nada a ver com criptomoedas ou mesmo com criptografia: é um robô criado pelo cientista-do-mal Jasper Whyte. Novamente uma aventura simples e curta, com mais uma participação importante do Dr. Blake.

Neste ponto chegamos à saga principal do volume, com uma história que se expande por três números: "The Fall of Asgard!", "Inferno" e "To End in Flames". Loki aproveita que Odin está dormindo para tomar o poder e enviar Thor ao inferno. Participam da aventura os Três Guerreiros (Fandal, Hogul e o inimitável Volstagg), Balder e Sif (bastante chatinha em todas as suas participações neste volume). A resolução da trama é meio choca: Balder acorda Odin, que resolve tudo.

"Death Is A Stranger" é uma história meio enrolada, desenhada por John Buscema. No meio das celebrações pela volta de Odin, Thor é abduzido para outro planeta. As coisas se complicam quando Thor retorna à forma de Donald Blake após ficar separado do seu martelo por mais de um minuto. Felizmente, Odin envia Sif para devolver o martelo (agora transformado em um cajado - alguém se lembra destas coisas?). De quebra, Thor volta ao passado e cancela toda a aventura.

Aí temos mais uma história em três partes: "No More the Thunder God!", "When Gods Go Mad!" e "One God Must Fall!" , porém Kirby desenha apenas a primeira parte. As duas a seguir são desenhadas por Neal Adams. Loki apela ao velho truque da troca de corpo (na primeira parte, a troca é só das faces, mas nas partes seguintes é assumido que foi o corpo todo). A solução vem através de ... Donald Blake!

Fechando o volume, uma história não muito inspirada, em duas partes, desenhada por John Buscema, com Thor enfrentando Dr. Doom em Latveria. O ponto interessante de "The Prisoner -- the Power -- and -- Dr. Doom!" e de "Trapped in Doomsland" é uma pequena reviravolta no final e uma ginástica verbal de Thor.

Veredito: Para dar um adeus ao Thor de Jack Kirby. A arte (principalmente a de Kirby) é muito boa, mas os roteiros se sustentam com dificuldade.


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