domingo, dezembro 11, 2005

Desenvolvimento nos Anos 80

O meu post anterior me fez lembrar sobre as condições de desenvolvimento nos meus primeiros empregos, nos anos 80.

Uma diferença em relação aos dias de hoje era a inexistência de micros sobre as mesas. Os micros ficavam normalmente em uma sala separada, o laboratório. Na foto, o laborátório da Humana Informática, em junho de 88.

No meu estágio na Scopus Tecnologia (1981), trabalhei no desenvolvimento de uma aplicação em Assembler para o microcomputador de 8 bits (MicroScopus). O desenvolvimento era feito no próprio MicroScopus; quando entrei já existia uma quantidade bem razoável deles no laboratório. Exceto por alguns problemas com a novíssima tecnologia de dupla densidade nos disquetes de 8", o desenvolvimento ocorria bastante bem. O MicroScopus trabalha apenas com disquetes de 8", winchester para micro ainda era algo novo (se bem que tinha um protótipo com disco de 5 MBytes) e os disquetes de 5 1/4" eram vistos como não profissionais.

Quando fui contratado fui alocado para o desenvolvimento do firmware de duas nova família de terminais de vídeo (Lepus e TVA 2000). O firmware também era desenvolvido em Assembler, porém em sistemas de desenvolvimento da Intel (Intelect). A Scopus possuia somente dois equipamentos (com disquetes de 8", é claro), por este motivo as edições mais pesadas eram feitas nos MicroScopus. Uma dificuldade adicional era que o hardware estava sendo desenvolvido e testado em paralelo ao software.

Posteriormente, ainda na Scopus, fui trabalhar no software do Nexus 1600, um dos primeiros PC-compatíveis nacionais. Novamente o hardware foi desenvolvido em paralelo com o software, porém neste caso tínhamos dois IBM PC (8088 4.7MHz, disquetes de 5 1/4") para desenvolvimento (em Assembler e Pascal) e teste. No final do desenvolvimento chegou um recem lançado IBM XT, com HD de 10MBytes. Depois que o projeto de hardware ficou estável (uma história interessante para um outro post) e a fábrica conseguiu alcançar a demanda, o laboratório passou a contar com uma quantidade razoável de Nexus. Para surpresa do marketing, só se usava o disquete de 5 1/4" (apesar de uma unidade externa de 8" ter sido desenvolvida) Em 85 a linguagem C começou a ser usada.

Em 1986 fui para a Humana. Uma empresa menor, incialmente tinha somente um Nexus 1600 (8088 8Mhz, 256K e dois disquetes de 5 1/4") para desenvolvimento, demonstração e treinamento. Dois computadores de 8 bits (um MicroScopus e um compatível Apple II) eram às vezes usados para edição. Com a minha chegada foi necessário adquirir mais um micro, no caso um Monydata (8088 8Mhz, 704K mas só um disquete de 5 1/4"). Para impressionar nas demonstrações do software para clientes, o monitor CGA era colorido (um luxo para a época). A Humana desenvolvia primariamente em C, usando Assembler apenas para trechos mais críticos.

Na foto de 88, da esquerda para a direita, um Itautec, o Nexus 1600, o Monydata e um Nexus 2600 (a única máquina com HD). Nos anos seguintes iriam se juntar a eles dois Microtec e um Proceda, todos com HD. Em 1989, embalada por um bom ano, a Humana comprou um lote de micros da Itautec para a sala de treinamento (com disquete) e para o desenvolvimento (com disquete e HD). A novidade destes micros era o vídeo EGA (porém os monitores eram monocromáticos). Com a chegada deles, um dos micros antigos (Proceda) foi para a minha mesa (afinal, eu era o chefe do desenvolvimento!).

12 comentários:

Daniel Stori (fisico_stori@hotmail.com) disse...

Aí Daniel, programador "roots" voce heim cara, voce ainda fuça em assembly? Ainda é útil hoje em dia? Parabens o blog tá legal.

Daniel Quadros disse...

No PC faz tempo que não mexo com assembly. Realmente não é mais necessário hoje em dia.

Por outro lado, tenho feito alguns projetos para sistemas baseados em microcontroladores e nesses casos tive que escrever pequenos trechos em assembler (apesar do grosso estar em C).

jsirota disse...

DQ

Vale a pena lembrar que trabalhavamos sem rede, backups em caixas de disquete e modem a 9600 era alta velocidade.
Para matar mais a saudade, o Claude pode preparar umas telas de Video-Texto com toda aquela qualidade gráfica.

Daniel Quadros disse...

Modem 9600? Só nos anos 90... Quando entrei na Humana em 86 tinha um recém lançado modem 1200bps da Digitel que só funcionou razoavelmente depois que fizeram um atualização de firmware!

Marcos Velasco disse...

Ola Daniel.

Por acaso, foi vc que escreveu um livro de Assembly ?

Se for, tenho ainda um livro seu.

Abraços

Marcos Velasco

Daniel Quadros disse...

Marcos,

Sim, eu escrevi alguns livros sobre Assembly (PC Assembler, PC Assembler Usando o BIOS, PC Assembler Usando o DOS e PC Assembler Gráficos e Sons). Eu comecei a escrever um outro ("Travessuras na VGA"), mas nunca terminei.

Luiz Souza disse...

Bom quanto a utilidade do Assembly...
Vocês já ouviram falar do livro TAOCP (The Art of Computer Programming), o Donald Knuth? O cara ensina algoritmos e estrutura de dados e os exemplos são TODOS em assembly...

Anônimo disse...

Olá Amigo, você trabalhou na Humana ?? Pensei que somente eu lembrava-se dela...rss
Eu trabalhei com o Zapt da Humana fazendo a comunicação de um XT Cobra com um 480 também da Cobra, lembra-se ? Tínhamos um modem de 1200 Kbps e recebíamos de são Paulo para o Interior os arquivos da transportadora que eu trabalhava programando.Dava um monte de erro pois a linha de telefone era uma droga.Que saudade daqueles tempos....Tinha uma trava no Zapt,né ? Tinha que desinstalar para formatar o HD.Lembra do 480 da Cobra ? E do Dialog ?
Um abraço , Paulo

Daniel Quadros disse...

Até 92 (se a memória não falha), o Z e o Zapt usavam uma proteção no disquete. Acho que foi em 89 que passamos a permitir a instalação no HD (até então poucos clientes investiam a "fortuna" que custava um HD). A proteção dava um bom trabalho para a produção dos discos e causava um pouco de desconforto para os usuários, mas para uma empresa pequena a pirataria desenfreada podia ser mortal.

Lembro sim do Cobra 480, fui eu quem escreveu o programa de transferência de arquivos que rodava nele, mas o que era o Dialog?

Daniel Quadros disse...

Luiz,

Poxa, só reparei no seu comentário um ano depois! Sou fã de carteirinha do TAOCP, desde que achei pela primeira vez na biblioteca da faculdade. O mais interessante é que o Knuth continua escrevendo exemplos em assembly, a única concessão é que ele atualizou o computador para arquitetura RISC.

Anônimo disse...

Olá Amigo
O 480 foi o primeiro computador em que trabalhei.Só conhecia computadores pela tv e revistas que eu comprava.Ele ficava a 25 graus , com o ar condicionado trabalhando o dia inteiro.Foi nele também que eu aprendi a programar, em Cobol.Depois , passei para uma transportadora que tinha um 480 também e um XT da Cobra.O Dialog foi uma tentativa da Cobra Computadores que passar da linguagem Cobol para um compatível do Dbase.A gnete fazia assim, trnasferia os arquivos de dados do Cobol para o Dialog.Depois, pelo Zapt, transferíamos para a rede Novell no PC.Aí, os dbf´s estavam prontos para uso em Clipper, quando o Clipper estava em ascenção, depois da versão Winter.
Bons tempos aqueles...Um abraço.

Carlos Bortotto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.