domingo, março 11, 2012

Livro de Fevereiro: O Segredo do Velho Moinho

Mais uma vez vou comentar sobre três edições distintas de um livro dos Hardy Boys: a orginal (de 1927), a revisada (de 1962) e a brasileira (de 1972). A revisão de 1962 manteve somente a ideia central do livro original que é uma quadrilha de falsários operando em um velho moinho (o tal "segredo" é óbvio logo no primeiro capítulo). Outros pontos comuns entre os livros são as introduções da lancha dos Hardy, o Sleuth, (que teria presença importante em vários outros livros) e da tia Gertrude (sempre preocupada com os perigos a que os rapazes se expõem).


A Edição Original

O texto maior, em 25 capítulos como era praxe nas edições originais dos primeiros livros, permite uma descrição mais detalhada dos Hardy Boys. Além de terem um idade menor, os Hardy Boys e seus amigos se comportam como garotos. O seu grande amigo Chet é retratado como um pregador de peças que se aproxima muito daquilo que hoje chamamos de "bully".

Um capítulo inteiro é dedicado a descrever uma peça pregada por Chet em um policial (com a cumplicidade dos Hardy). Nas edições originais o chefe de polícia de Bayport e seus detetives são retratados como patetas preguiçosos, que consideram os Hardy Boys e seus amigos como garotos criadores de problemas.

O livro começa com Joe recebendo uma nota falsa de US$5. E não é o único Hardy enganado: mais adiante a sua mãe vende um tapete por US$800 em notas falsas.Sendo o terceiro volume de uma série nova, frequentemente se faz referência às aventuras dos volumes anteriores.

O Velho Moinho fica próximo a um rio (é claro) e fazendas. Está abandonado quando os bandidos se mudam para lá, com o fraco disfarce de estarem inventando um cereal matinal.

A Revisão de 1962


As revisões dos primeiros livros dos Hardy Boys adotaram um texto mais conciso, em 20 capítulos. Isto acelera a ação, mas prejudica as descrições. No primeiro capítulo quem recebe a nota falsa (agora promovida a US$20) é Chet, que aqui tem um personalidade diferente (que seria seguida nos novos livros): ligeiramente preguiçoso e sempre com um hobby novo (que, é claro, acaba tendo algo a ver com o mistério).

Neste livro o hobby de Chet o leva a comprar um microscópio, que será usado pelo chefe da polícia para mostrar para eles as falhas na falsificação. Nos livros revisados, o chefe passa a ser razoavelmente competente e é grande amigo dos Hardy Boys. O livro possui ainda uma pequena gozação com um detetive incompetente, mas este personagem seria logo abandonado na série.

O moinho está agora ao lado de uma fábrica de produtos eletrônicos, entre os quais sigilosas peças de controles de mísseis espaciais. Isto cria um subtrama de espionagem e sabotagem inexistente na verão original. Não é surpresa que o pai dos nossos heróis está investigando isto. O disfarce dos bandidos é agora melhor: são empregados da fábrica.

Como reconhecimento da popularidade dos Hardy Boys, a versão revisada tem bem menos referências aos casos anteriores.

A Edição Brasileira

Novamente, a edição da Abril é uma tradução fiel da versão revisada do livro. A capa possui um aspecto ligeiramente psicodélico, mas as figuras internas são bem sóbrias.

Veredito

As duas versões são muito boas. Não se trata de "alta literatura", nem envolve grandes mistérios ou habilidades detetivescas, mas são uma boa distração e acabam prendendo bem a atenção.

Um comentário:

Garcia disse...

Eu li alguns livros da edicao brasileira com as capas 'psicodelicas' como voce mencionou. Eu li esse que voce postou, O sinal fatidico, e mais alguns que nao lembro o nome. Achava o máximo, embora como você comentou também, 'nao se trata de alta-literatura', obrigado pela recordação!